Diário de Classe, cidadania nas Redes Sociais

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 Isadora Faber, de apenas 13 anos criou uma fan page para relatar os casos em sua escola, virou sucesso.

Ela não tem 1 milhão de seguidores e nem foi manchete da Forbes. Não esteve presentes nas principais discussões sobre marketing nas redes sociais e nem sequer tem idade para trabalhar. Isso realmente importa? Não. Isadora Faber, com apenas 13 anos, criou uma página no Facebook para relatar a realidade que milhões de estudantes brasileiros encontram nas escolas públicas do país: o descaso absoluto com a educação.

Em um primeiro momento a ideia de “farsa” nos passa pela mente. Porém a ideia é simples, e por ser simples é genial. Isadora criou o “Diário de Classe“, uma fan page para mostrar, na prática, o que todos conhecem mas que ninguém tem coragem de ver. A ideia surgiu após a estudante encontrar um blog que documentava diariamente a merenda oferecida em uma escola. Ela, então, decidiu que podia documentar e mostrar a quem quisesse ver o que se passava na escola municipal Maria Tomázia Coelho, em Florianópolis.

Os relatos incluem aspectos físicos, como carteiras e ventiladores quebrados, até uma possível intimação por parte da escola, que obviamente irá negar e ironizar até o fim a existência de um “pedido para que a página fosse excluída”. Alguns professores, segundo Isadora, também não gostaram da iniciativa e investiram em “indiretas” para atacar a garota. Prova mais do que concreta de como se dá a relação internet e educação no Brasil. É engraçadinho? Não tem problema. Tem tom mais agressivo e exige mudanças? Ah, isso não pode, não!

“Hoje a professora de português Queila, preparou uma aula pra me ”humilhar” na frente dos meus colegas, a aula falava sobre politica e internet, ela falava que ninguém podia falar da vida dos professores, porque nós podíamos ter feito muitas coisas erradas pra eles odiarem e etc. Eu e acho que a maioria dos meus colegas entenderam o recado ”pra mim”. Além disso quando vou até o refeitório as cozinheiras, começam a falar de mim, na minha frente e rir, eu e a Melina (minha colega) fomos reclamar com a diretora, então ela disse que eu tenho que aguentar as consequências e que a partir de agora seria assim com todos, não resolveu o problema. Confesso que fiquei muito triste …”.

“A diretora disse que a demissão do professor Aloísio, de matemática, está pronta e ele não quer assinar, a nossa turma já fez abaixo assinado, e ela não sai. Alguém pode me explicar como isso funciona??? Pensei que quando era demitido tinha que sair.”

As descrições – literais – dos depoimentos da estudante evidenciam o que estamos cansados de saber e cansados de fingir que não sabemos: a educação pública brasileira é falida. Não adianta falar em eleições e mudanças na urna porque isso não existe. Não há mudança de postura nas eleições. Somos iguais 365 dias por ano. Somos culpados 365 dias por anos. Somos patifes 365 dias por ano. Nada contra os gatinhos que tocam piano nas horas vagas, mas para que serve toda a banda larga do mundo se, na prática, não queremos mudar absolutamente nada?

Assim como foi fantástico um jovem de 19 anos revolucionar uma marca de palitinhos, ter uma estudante de 13 anos que consegue tamanha visibilidade é de se admirar. A página caminha para os 150 mil likes, foi manchete nos principais jornais e, principalmente, conseguiu que a Secretaria de Educação de Florianópolis tomasse uma iniciativa minimamente decente para resolver os casos. Na teoria a briga entre Estado e cidadão o primeiro sempre leva a culpa. Na prática, o Estado só reflete aquilo que ele encontra na sociedade. Para a nossa sorte, Isadora Faber pensa diferente. Parabéns!

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Coloral

Músico, aficionado por tubaína e novidades digitais. Planner de Social Media na Formula Ideal, desenvolvendo estratégias para campanhas e ações nas Mídias Sociais com o objetivo de criar laços de relacionamento entre as marcas e seus clientes.